Bienal Sesc de Dança traz "Viaduto" e demais espetáculos este fim de semana
07/10/2021 17:31 em Cultura

Bienal Sesc de Dança traz "Viaduto" que propõe crítica social e política em meio a festa com muita dança e música com obra do coreógrafo Renan Martins e do produtor musical Frankão, ambos brasileiros radicados na Europa, é atração desta quinta do festival. Veja programação.

“Viaduto”, espetáculo do coreógrafo carioca Renan Martins e do produtor musical e percursionista de Volta Redonda (RJ) Frankão, ambos radicados na Europa, chega com grande expectativa ao público brasileiro na noite desta quinta-feira (7), às 21h, dentro da 12ª Bienal Sesc de Dança. É uma peça com abundância de música e dança, mas, acima de tudo, traz uma reflexão com crítica social e política abordada a partir do conceito de festa e da metáfora da construção.

“É sobre o que gentrificação de uma cidade, mudança política, como isso afeta as pessoas, a desconstrução dos nossos princípios, o que é as coisas caíres, o que é esse governo acabando com a gente. O ‘Viaduto’ é o desabamento das nossas estruturas e a vontade recomeçar”, contou Renan.

“Coloque o som alto. Tenha paciência no início porque na hora que a festa chega, levanta do sofá e curta a música do Frankão que é incrível”, afirmou o coreógrafo.

Veja a programação completa da Bienal Sesc de Dança até o dia 10 de outubro

Assista aos espetáculos pelo @SescAoVivo, no Instagram, no youtube.com/sescsp e a página do sesc.digital

Estudos na Europa - Recentemente, o artista se tornou o primeiro brasileiro a coreografar o Dance Theater Heidelberg, na Alemanha. Garoto do subúrbio carioca, ele conseguiu uma bolsa para estudar no Centro de Movimento Deborah Colker. Depois de apenas oito meses participou uma audição e conquistou a oportunidade de estudar dança contemporânea em Salzburg Experimental Academy of Dance (SEAD), na Áustria.

Mas, para sair pela primeira vez do país, era necessário dinheiro. Família, amigos, igreja se mobilizaram com rifas, trabalho extra e até caldo verde – iguaria carioca – para pagar a passagem da primeira viagem ao exterior do jovem de 17 anos.

Renan está no velho continente há 15 anos, graduou-se também na Estúdios de Pesquisa e Treinamento em Artes Cênicas (P.A.R.T.S), importante escola de dança sediada em Bruxelas (Bélgica), onde começou a trabalhar como professor e coreógrafo. Desde 2013 é membro da Damaged Goods, de Meg Stuart.

Atualmente reside na Alemanha, mas esteve por Portugal, local onde foi gravado o espetáculo. Foi em 2017 que o artista morou em terras lusas e passou a integrar a Sekoia Artes Performativas, coprodutora de “Viaduto”.

“Quando eu fui para Porto, conheci o Quebra Cu, que tem um coletivo de Dj muito legal. Foi quando me apresentaram a Ana Rocha, uma dramaturga muito importante na cena, e ao Frankão”, disse.

 

Começo de 'Viaduto' - Durante uma viagem a Viena, na Áustria, para trabalhar no Festival ImPuls Tanz, em 2018, Renan e Frankão começaram a bolar a obra. “Nós dois temos uma relação comum de imigrante, e eu tenho essa sensação de não pertencer a lugar nenhum por ter morado em vários lugares. A gente pensou então em montar algo que sentimos falta. Frankão vem de Volta Redonda (RJ), também passou muito tempo no Rio, trabalhou muito com comunidade, então ‘casou’. Somos muito defensores da cultura de rua, do que é da galera, da cultura popular. Eu não venho de uma família intelectual.”

Para tanto, eles se inspiraram no que ocorre há mais de 30 anos com o Baile Charme do Viaduto de Madureira, que é Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro. “Não é uma representação do Baile, o qual respeito muito!”, afirmou. “O Baile acontece em um lugar que durante a semana funciona como um estacionamento e aos finais de semana vira baile. Um lugar que existe o tempo inteiro para uma coisa e, de repente, vira outra coisa. E também pensamos no [Elevado do] Perimetral que foi implodido. É um marco muito forte para a cidade de que alguma coisa a partir dali começava a mudar”, concluiu.

 

Mudança de planos - O espetáculo foi gravado no dia 27 de abril de 2021 no Auditório Municipal de Gaia e estreou dois dias depois, ao vivo, para um público reduzido.

“A energia foi emocionante, mas não dá para ver na gravação porque ocorreu antes, uma pena. O festival seria on-line e na última hora resolveram abrir para as pessoas”, contou Renan.

Quanto a reação dos brasileiros e dos portugueses e outras nacionalidades, Renan disse que era notória a diferença. “Quem tem uma projeção do que é uma festa no Brasil, eu acho que não entendeu muito bem.”

A proposta inicial era para que estreasse dentro de um galpão embaixo de um viaduto, em Portugal, no ano passado. Por conta da pandemia do novo coronavírus, houve adaptações, mas há intenção de ser retomada assim que possível.

“A ideia era de que o público chegar, montar e desmontar a festa, de uma maneira fictícia, com a gente. Mas, o corona não permitiu. Foi um desafio. Agora a peça já está sendo vendida para que seja prioritariamente com a galera conosco no palco ou no máximo em volta”, disse Renan. As datas ainda não estão confirmadas.

Os espetáculos da mostra ficarão disponíveis nos canais do Sesc São Paulo, realizador da Bienal de Dança com apoio da Prefeitura Municipal de Campinas e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Toda a programação é gratuita e on-line.

 

Programação desta quinta (7)

19h (ao vivo): Na Fresta da Certeza, o Vermelho Escuro – Luciane Ramos Silva (São Paulo)

Quatro artistas balizam em cena o movimento de um grupo de mulheres que, impulsionadas pela memória, decidem mudar a ordem das coisas e prospectar outras formas e sentidos. Para elas, o espaço instituído e delimitado não é mais forte que a velocidade ancestral da imaginação.

O trabalho toma como motor a premissa do feminismo negro que observa que a escuridão deve ser abraçada e que o mistério é fundamento e força de contestação. Em pulso coletivo criam interrogações, fricções e alegrias explorando as infinitas possibilidades de jogo narrativo da história.

21h: Viaduto – Renan Martins e Frankão (Brasil/Portugal/Alemanha)

A audiência brasileira não deve demorar a ser capturada pela escuta na exibição do espetáculo português gravado este ano numa sessão sem público, na região do Porto. Há momentos com músicas de Noel Rosa, passinho do funk e uma canção gospel.

Cariocas lá radicados, o diretor e coreógrafo Renan Martins (que também trabalha na cidade alemã de Heidelberg) e o músico Frankão evocam memórias da terra natal e rendem homenagem às manifestações culturais populares urbanas por meio do tradicional baile sob o viaduto Negrão de Lima, em Madureira, templo do charme e do hip hop na zona norte.

Adota a ótica DIY, o faça você mesmo da sigla em inglês, pois criadores e bailarinos operam tudo em cena, e o low-fi, em que a imperfeição sonora e performativa contraria a divisão entre intérpretes e público ao permitir que ambos comunguem da festa.

 

Programação de sexta (8)

16:00 - [mesa de discussão] Deslocamento como Coreografia

19:00 - [ao vivo] Goldfish

21:00 - [exibição] N’otro Corpo | Devotees

 

Programação de sábado (9)

15:00 - [exibição/crianças] Buraco

19:00 - [ao vivo] IKU

21:00 - [exibição] Taoca

21:30 - [ponto de encontro/show] NoPorn

 

Programação de domingo (10)

16:00 - [aula magistral] Música no Corpo, Corpo na Música

19:00 - [ao vivo] O QUE MANCHA

21:00 - [exibição] Este corpo é tão impermanente…

 

12ª Bienal Sesc de Dança

Quando: Até dia 10 de outubro

Onde: @SescAoVivo (Instagram), youtube.com/sescsp e sesc.digital

Gratuito

Mais informações: www.bienaldedanca.sescsp.org.br

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