Bumba meu Boi do Morro do Querosene convida a comunidade de São Paulo a conhecer histórias ancestrais
22/10/2021 19:02 em Cultura

O Bumba meu Boi do Morro do Querosene convida a Congada de Mogi e antigos grupos de Boi do Maranhão para contar sua história em São Paulo. Em seu passeio virtual pela cidade de São Paulo, por 22 comunidades dançantes, quilombos urbanos, aldeias, escolas, mostrando seu espetáculo “Brasil Terreiro”, o grupo Cupuaçu, que faz há mais de 30 anos a Festa do Bumba meu Boi em São Paulo, trará virtualmente do Maranhão o Boi de Leonardo, o Boi de Madredeus, Boi de Maracanã e o Boi do Brilho da Sociedade sotaque Costa de mão de Cururupu.

A partir deste sábado (23 de outubro), a comunidade de São Paulo vai conhecer as histórias ancestrais que são parte de nossa história aqui na metrópole. Serão conversas virtuais enquanto assistimos a transmissão do espetáculo, feito com apoio da 28ª edição do Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo.

São quase 50 pessoas que fazem a Festa do Boi em São Paulo, famosa por não ter divulgação, também por trazer duas, três mil pessoas para as ruas. São mestres, dançarinos, bordadeiras, caixeiras e rezadores. Também estão no grupo declamadores de poesia e cordel, tocadores, compositores, palhaços encantados de nosso folguedo, os filhos dos brincantes, netos, avós. Todos fazem parte do elenco.

A manifestação popular está na vida de todos os brincantes, desde que se nasce. São gerações que há mais de quatro décadas vivem o universo do Bumba meu Boi na metrópole. Esse Bumba meu Boi traz a dança o Pela Porco, conhecida como a dança dos velhos, a brincadeira de Cacuriá, o Coco do Maranhão, do Caroço, o carnaval do Baralho, o Tambor de Crioula. Tudo como memória de brincadeiras dos quintais, dos terreiros do Maranhão que os mestres trazem com eles.

Tião Carvalho, Graça Reis de Menezes, Ana Maria Carvalho, Bartira Menezes, Henrique Menezes, Mary Mesquita e outros ensinadores maranhenses com Alfredo Madredeus. Eles trazem consigo, no corpo e na memória a tradição corporal da dança, ela se mistura com a religiosidade, com a comida, com o encantamento do bordado e das fitas.

São hoje três gerações de brincantes em São Paulo: os criadores do grupo, seus filhos – que hoje já puxam nossa festa do Boi. Agora seus netos, como Inácio, recém-chegado e mais novo brincante dessa brincadeira.

Essas gerações trazem na memória a tradição de nossa dança. Igual as cidades do Maranhão, que trouxeram da memória a arte feita nos quilombos: o ritmo, o tambor, a encantoria. O grupo traz suas raízes, de forma virtual, para toda comunidade de São Paulo conhecer esses outros sotaques, graças à parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. O objetivo é conhecer aqueles que também contam a história de nosso povo dançando, cantando, brincando.

Os grupos convidados para essas lives/transmissões de nosso espetáculo represntam diferentes sotaques de Bumba meu Boi, usam diferentes instrumentos, diferentes tradições de máscaras, de seres encantados, diferentes variações de ritmos.

Do Maranhão para São Paulo e daqui para o mundo - Os mestres do Cupuaçu já ajudaram a criar grupos por todo país: em Londrina (PR), Pirenópolis (GO), Campinas (SP) e diversos outros lugares, inclusive fora do País. Dentro da cidade, são inúmeros grupos que se inspiraram na técnica de dança ancestral, ritual, trazida pelos mestres do Cupuaçu.

O grupo montou seu primeiro espetáculo virtual, todo gravado, para leva-lo sem medo até quilombos, aldeias, escolas, tudo sem trazer perigo ou aglomerações. Eles são muitos quando se juntam, quando tocam podem juntar milhares. Então o desafio da circulação virtual. Nas últimas semanas já estivemos no Quilombo Sambaqui, no terreiro do Mucambos de Raiz Nagô, no Cordão Folclórico de Itaquera, na Teatro Clariô, na Agência e no Teatro Popular Solano Trindade, com o grupo Caraxá, com as Caixeiras de Campinas.

Muito mais está por vir a partir do próximo sábado, quando estaremos com a Congada de Santa Efigênia, de Mogi das Cruzes. Depois estaremos com o Ouro do Congo, do espaço Cita, um dos mais importantes da Zona Sul de São Paulo.

Também estaremos com o Candearte, do mestre Magela, que traz a tradição do Coco e do Boi do Sudeste de Minas Gerais. Depois estaremos em contato direto com o Maranhão. Serão quatro grupos de Bumba meu Boi dos mais tradicionais daquele estado: Boi de Madredeus, Boi de Maracanã, Boi de Leonardo e Boi de Madredeus.

Estão todos convidados, pois o Boi esta em quase todos as manifestações, e um personagem que brinca e conta a história de nosso povo, de sua artes, de suas resistencia e personalidade mais original. Estão todos convidados. Estarão as diferentes gerações de brincantes, os diferentes sotaques, a migração de culturas que acontece em São Paulo, as formas de ensinar artes de forma integrada, sem separar o que dança, o que limpa, o que cozinha, o que reza. Fazendo de sua cultura sua religião, sua escolha de vida.

 

Espetáculo Brasil Terreiro – Temporada Virtual

Transmitimos o espetáculo em partes, enquanto nossos mestres e brincantes conversam e relembram histórias e cantorias com os convidados.

Direção e coordenação geral - Tião Carvalho e Graça Reis de Menezes

Direção Musical – Henrique Menezes

Direção de movimento e coreografia – Bartira Menezes

 

Espetáculo Brasil Terreiro – Agenda

(sáb 19h) 23.10 – Congada de Santa Ifigênia

(dom 18h) 24.10 – Boi de Leonardo

(quarta 19h) 27.10 – Ouro do Congo / CITA

(sáb 19h) 30.10 – Casa de Cultura Candearte

(dom 18h) 31.10 – Boi de Maracanã

(Sáb 19h) 06.11 – Boi do Brilho da Sociedade sotaque Costa de mão de Cururupu

(dom 18h) 07.11 – Boi Madredeus 

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